No dia 30 de maio realizámos uma visita a um Centro de Dia de idosos no âmbito da disciplina de Psicologia B. Esta experiência revelou-se muito importante, tanto a nível pessoal como académico. O que mais me marcou foi a forma como se estabeleceu uma ligação entre os jovens e os mais velhos. A comunicação aconteceu naturalmente, criando momentos de partilha genuína, em que o diálogo entre gerações se mostrou não só possível, como também extremamente valioso. A atenção e o respeito mútuo permitiram-nos ouvir as suas histórias de vida, repletas de sabedoria e experiência, promovendo um ambiente de acolhimento e reflexão. A colega Ana C.M. partilhou a sua experiência: “A parte que mais gostei foi de conversar com a D. M. J. e ver que, mesmo com a idade avançada, ela tem uma grande disposição.”
No entanto, houve também aspetos mais difíceis de assimilar. Foi particularmente triste perceber que algumas das pessoas idosas presentes haviam sofrido perdas recentes e estavam visivelmente muito afetadas pela tristeza e solidão. Lembro-me das palavras de uma das idosas que dizia: “O meu marido morreu há quatro anos; sem ele, eu não sou nada.” Para além disso, notei casos de anti socialização, em que alguns preferem manter-se afastados dos restantes por sentirem que não se enquadram. Como uma idosa nos disse: “Prefiro estar sozinha do que estar com esta gente.”
Esta realidade fez-me refletir sobre a importância do apoio emocional nesta fase da vida e sobre o papel que a sociedade deve assumir no cuidado e valorização dos seus membros mais velhos. Apesar dos momentos mais sensíveis, considero que foi extremamente enriquecedor. Aprendi imenso com a experiência e senti que saí de lá com uma nova perspetiva sobre o envelhecimento e a importância do contacto humano. Foi, sem dúvida, uma oportunidade marcante que guardarei com carinho.
Nota: Atividade enquadrada no estudo do desenvolvimento humano e teoria psicossocial de Erikson que enfatiza a importância da interação social e cultural na formação da identidade e desenvolvimento pessoal. Desde o nascimento à morte, correm oito fases. Na última (Integridade vs. Desespero 65 anos +), o idoso reflete sobre a sua vida como um todo: se sente que a vida foi significativa, experimenta um sentimento de integridade e satisfação; se sente que não realizou os seus objetivos, cometeu erros e que o tempo acabou, pode experimentar desespero, amargura, tristeza.
Kevin

